Monograma ME — Dra. Maria Elisa S. Oliveira

Cirurgia do Ombro

Reparo do Manguito Rotador

Orientações ao paciente — da avaliação ao retorno às atividades

Pacientes encaminhados para cirurgia do ombro — reparo de manguito rotador, artroscopia, estabilização glenoumeral, artroplastia total ou reversa, descompressão subacromial, reparo de SLAP/Bankart, entre outros — costumam apresentar dúvidas semelhantes, independentemente do diagnóstico específico. A articulação do ombro é essencial para atividades básicas (higiene, vestuário, dirigir, trabalhar), o que gera preocupações distintas das de outras cirurgias ortopédicas.

Este guia reúne as perguntas mais frequentes, organizadas por fase do tratamento das lesões do manguito rotador. Os prazos citados são referências gerais — variações são esperadas conforme tipo e tamanho da lesão, qualidade tecidual, comorbidades e adesão ao protocolo de reabilitação.

Sumário

  1. 01 Pré-operatório Decisão cirúrgica, exames, anestesia e preparo
  2. 02 A cirurgia Aspectos técnicos, duração e o que esperar
  3. 03 Pós-operatório imediato Dor, curativos, tipoia e cuidados nos primeiros dias
  4. 04 Em casa Medicações, cuidados domiciliares e atividades diárias
  5. 05 Recuperação e reabilitação Fisioterapia, retorno à direção, trabalho e esporte
  6. 06 Riscos e resultados Complicações, re-ruptura e tempo de recuperação
  7. 07 Logística e dia a dia Acompanhante, viagens, retornos e documentos
  8. 08 Perfis específicos Idosos, diabéticos, atletas e lado dominante
  9. 09 Aspectos emocionais Ansiedade, expectativas e curva da recuperação
01

Pré-operatório

Decisão cirúrgica e preparo

Indicação e alternativas

+Essa cirurgia é realmente necessária? Não dá para tratar só com fisioterapia?

A indicação cirúrgica é construída com base em três pilares: falha do tratamento conservador bem conduzido (habitualmente 3–6 meses de fisioterapia, analgesia e eventualmente infiltrações), achados de imagem compatíveis com lesão estrutural relevante (ressonância, ultrassonografia) e/ou impacto funcional persistente. Lesões agudas traumáticas em jovens e rupturas completas do manguito rotador em pacientes ativos costumam ter indicação mais precoce. Casos de tendinopatia sem ruptura, bursite e impacto subacromial geralmente respondem ao tratamento conservador.

+Existe algum risco de piorar se eu não operar agora?

Sim. As rupturas completas de manguito rotador tendem a progredir em tamanho e a evoluir com retração tendínea, infiltração gordurosa muscular, atrofia e degeneração articular (artropatia por manguito), reduzindo a chance de reparo bem-sucedido no futuro. Há casos em que o reparo (sutura) da lesão não é mais possível.

+Qual é a taxa de sucesso desse procedimento?

O reparo artroscópico do manguito rotador tem cerca de 85–95% de bom resultado funcional, com taxas de re-ruptura que variam de 10% (lesões pequenas) a 40% ou mais (lesões massivas). “Sucesso” significa redução da dor e melhora funcional — não necessariamente retorno a 100% da função pré-lesão.

Exames e preparo pré-operatório

+Quais exames vou precisar fazer antes da cirurgia?

Exames laboratoriais de rotina (hemograma, coagulograma, função renal, glicemia), ECG e, conforme idade e comorbidades, avaliação cardiológica e anestésica. Avaliação de imagem específica do ombro: radiografias em incidências apropriadas e ressonância magnética. Pacientes com comorbidades cardiovasculares, diabetes, uso de anticoagulantes ou imunossupressores podem precisar de liberação especializada.

+Preciso parar algum medicamento antes?

Antiagregantes (AAS, clopidogrel) e anticoagulantes (varfarina, rivaroxabana, apixabana, dabigatrana) devem ser suspensos com antecedência definida pelo cardiologista/hematologista/anestesista. Suplementos fitoterápicos com efeito anticoagulante (ginkgo, alho em altas doses, vitamina E) também devem ser suspensos. Medicações crônicas (anti-hipertensivos, levotiroxina) normalmente são mantidas, com orientação caso a caso para hipoglicemiantes.

+Posso comer antes da cirurgia?

Não. O jejum absoluto habitual é de 8 horas para sólidos e líquidos. Orientações específicas são fornecidas pelo anestesiologista na avaliação pré-operatória.

+Devo parar de fumar antes? Quanto tempo antes?

Sim. O tabagismo compromete significativamente a cicatrização tendínea e óssea, aumentando as taxas de re-ruptura em reparos de manguito, além de elevar o risco de infecção e complicações pulmonares. O ideal é a cessação por pelo menos 4 semanas antes e manutenção por pelo menos 6 a 12 semanas no pós-operatório — período crítico para cicatrização tendínea. Qualquer período de abstinência, mesmo que curto, tende a reduzir complicações respiratórias.

+E o álcool, posso beber nos dias anteriores?

Recomenda-se abstinência por pelo menos 48 horas antes da cirurgia. Consumo crônico pesado deve ser discutido com a equipe, pois pode haver risco de síndrome de abstinência no pós-operatório e interação com medicações anestésicas e analgésicas.

Anestesia

+Que tipo de anestesia será usada?

A grande maioria das cirurgias de ombro é realizada sob anestesia geral associada a bloqueio do plexo braquial, que proporciona analgesia potente nas primeiras 12 a 24 horas do pós-operatório.

+O bloqueio do braço tem risco? Vou ficar com o braço dormente?

O bloqueio do plexo braquial é seguro nas mãos de anestesiologistas experientes, mas tem riscos conhecidos: dormência e fraqueza transitórias do membro superior (habitualmente de 8 a 24 horas, podendo chegar a 48 horas), paralisia diafragmática ipsilateral transitória, síndrome de Horner transitória, rouquidão e, raramente, lesão neural persistente (< 1%). Sintomas sensitivos residuais podem durar semanas em situações atípicas.

+Vou ficar acordado durante a cirurgia?

Não. É realizada anestesia geral e o paciente permanece dormindo e sem dor durante todo o ato cirúrgico.

02

A cirurgia

Aspectos técnicos e duração

+Quanto tempo dura a cirurgia?

O tempo cirúrgico engloba anestesia, posicionamento do paciente, tratamento cirúrgico das lesões e recuperação inicial após a anestesia. O tempo médio é de 90 a 150 minutos.

+Como é a cirurgia por vídeo (artroscopia)?

A artroscopia é a cirurgia de ombro mais comum. É realizada através de incisões de 5 mm (portais) por onde passam câmera e instrumental. Vantagens: menor agressão a partes moles, menos dor no pós-operatório imediato, menor risco de infecção, melhor visualização intra-articular e recuperação estética superior.

+Vou ficar com cicatrizes muito aparentes?

Em procedimentos artroscópicos, são 3 a 5 portais de aproximadamente 5 mm que costumam evoluir para cicatrizes puntiformes discretas. A qualidade final depende do tipo de pele, genética, tabagismo e cuidados locais.

+Vão colocar parafusos ou âncoras? Esses materiais ficam para sempre?

Sim. Para reparos de lesões do manguito rotador, utilizamos âncoras para fazer a sutura do tendão — não é necessário retirá-las. As âncoras podem ser metálicas (titânio), de polímero ou bioabsorvíveis; as metálicas permanecem; as bioabsorvíveis são reabsorvidas em meses a anos. Em geral, não há contraindicação para ressonância magnética com implantes ortopédicos, mas o paciente deve sempre informar antes do exame.

+Existe risco de precisar mudar a cirurgia durante o procedimento?

Sim. A avaliação intraoperatória pode revelar lesões associadas não evidentes na imagem pré-operatória — lesões parciais que na verdade são completas, lesões labrais, condrais ou extensão maior de ruptura. O consentimento contempla a possibilidade de ampliação do procedimento, conversão de artroscopia em cirurgia aberta em casos específicos, ou mesmo a decisão de não realizar o reparo caso seja tecnicamente irreparável.

03

Pós-operatório imediato

Internação e primeiros dias

+Vou precisar ficar internado? Por quantos dias?

Sim. O paciente interna 2 horas antes do horário programado da cirurgia. Após o procedimento, passa um período na sala de recuperação anestésica e depois é encaminhado ao quarto, com alta na manhã seguinte. Cirurgias complexas, pacientes com comorbidades relevantes ou com controle álgico difícil podem necessitar de internação mais prolongada.

+Vou sentir muita dor depois?

As primeiras 48 a 72 horas são habitualmente as mais desconfortáveis, especialmente após o efeito do bloqueio do plexo braquial (sensação de “rebote doloroso”, comum entre 20 e 24 horas pós-operatórias). A dor é controlada com analgesia multimodal: opioides de curta duração, analgésicos simples, eventualmente anti-inflamatórios e crioterapia. A dor intensa tende a melhorar substancialmente após a primeira semana, mas desconforto moderado pode persistir por 2–3 semanas.

+Vou usar tipoia? Por quanto tempo?

Sim. Praticamente todos os procedimentos cirúrgicos do ombro requerem imobilização pós-operatória com tipoia — simples ou com abdutor/almofada, dependendo do procedimento. O tempo varia entre 3 a 6 semanas. A tipoia é usada em tempo integral nas primeiras semanas, inclusive para dormir, sendo retirada apenas para higiene cuidadosa, exercícios específicos e fisioterapia supervisionada.

+Como vou dormir com o braço imobilizado?

O sono costuma ser uma das principais queixas nas primeiras semanas. Recomenda-se: dormir semi-sentado (poltrona reclinável ou cama com várias almofadas) nas primeiras 1 a 3 semanas; apoiar o antebraço com almofada para manter o ombro em posição neutra; evitar dormir sobre o ombro operado por pelo menos 4 a 6 semanas; e manter analgesia noturna regular. Distúrbios do sono são comuns e transitórios.

+Quando posso tomar banho? E molhar a ferida?

O curativo deve ser protegido com plástico impermeável durante o banho e mantido seco e limpo nos primeiros 5–7 dias. A partir desse prazo, se os portais estiverem secos e fechados, pode-se tomar banho de chuveiro deixando a água cair sobre a pele sem esfregar. A imersão (banheira, piscina, mar) é contraindicada até completa cicatrização cutânea, geralmente 14 a 21 dias. Os pontos são avaliados e retirados em torno do 10º–14º dia.

+Posso usar gelo? Por quanto tempo e quantas vezes por dia?

A crioterapia é recomendada nas primeiras 48 a 72 horas de forma intensiva e pode ser mantida por 2 a 4 semanas para controle de dor e edema. Esquema habitual: compressas de gelo (protegidas com tecido para evitar lesão de pele) por 15 a 20 minutos a cada 3 a 6 horas nas primeiras 48 horas, reduzindo progressivamente.

+Que sinais devo observar após a cirurgia? Quando devo procurar atendimento de urgência?

Sempre que houver qualquer dúvida em relação à cirurgia, o paciente deve informar a médica. Os pacientes têm contato direto com a equipe médica para dúvidas pós-operatórias nas primeiras semanas.

04

Em casa

Medicações, cuidados domiciliares e atividades diárias

Medicações

+Preciso tomar anticoagulante no pós-operatório?

Tromboprofilaxia farmacológica não é rotina em cirurgia de membro superior, pois a incidência de TVP/TEP é bem menor do que em cirurgia de membro inferior. É indicada em pacientes com fatores de risco (TVP/TEP prévia, trombofilia, obesidade importante, câncer ativo, etc.). Medidas gerais — deambulação precoce, hidratação, movimentação ativa dos dedos e do cotovelo na tipoia — são recomendadas para todos.

+Vou ficar dependente de analgésico forte?

O risco existe, mas é baixo quando o uso é controlado. Opioides devem ser prescritos em quantidade e duração limitadas (habitualmente 5 a 14 dias no pós-operatório imediato), com desmame programado para analgésicos simples. O paciente deve ser orientado sobre sinais de uso excessivo e incentivado a migrar para analgesia não opioide assim que a dor permitir.

Atividades da vida diária

+Como vou me vestir, tomar banho, comer?

Orientações práticas: vestir-se pelo lado operado primeiro e despir-se por último; preferir camisas abertas (com botões) ou camisetas largas, evitando blusas fechadas; sutiãs de abertura frontal; calçados sem cadarço; usar a mão oposta para escovar os dentes, alimentar-se e cuidar da higiene pessoal. Um acompanhante é útil nos primeiros dias, especialmente para pacientes que moram sozinhos ou cujo lado operado é o dominante.

+Posso dirigir de tipoia? Quando posso voltar a dirigir?

Não é possível dirigir de tipoia. O retorno à direção exige controle motor do membro, segurança para reações rápidas e ausência de opioides ou sedativos. Para cirurgias do lado direito ou em pacientes com câmbio manual, o prazo é habitualmente maior — em média a partir de 4 a 6 semanas. Recomenda-se testar em local seguro antes de dirigir no trânsito.

+Quando posso voltar a trabalhar?

Depende da natureza do trabalho:

  • Atividades administrativas / home office com uso predominante do lado não operado — 1 a 3 semanas.
  • Trabalho leve com uso moderado do braço — 6 a 12 semanas.
  • Trabalho pesado, carga acima de 5 kg ou uso de ferramentas vibratórias — 3 a 6 meses.

Atestados médicos são fornecidos conforme o caso, durante a consulta médica.

+Posso ter relação sexual? Quando?

O retorno à atividade sexual é possível com precauções desde que o braço operado seja mantido na tipoia, em posição neutra, evitando apoio sobre o ombro e movimentos bruscos. Recomenda-se que o/a parceiro/a assuma posições que minimizem o esforço do lado operado nas primeiras 6 semanas.

05

Recuperação

Reabilitação e fisioterapia

+Quando começa a fisioterapia?

Há exercícios orientados desde o 1º dia de pós-operatório. A fisioterapia supervisionada formal costuma iniciar entre a 3ª e a 6ª semana, progredindo em fases — passiva, ativa-assistida, ativa e fortalecimento. Em reparos de lesões do manguito rotador, há balanço entre risco de rigidez (início precoce) e risco de re-ruptura (início tardio). A tendência atual é de protocolos individualizados conforme tamanho e qualidade do reparo.

+Por quanto tempo vou fazer fisioterapia?

A reabilitação estruturada dura habitualmente de 3 a 6 meses, com frequência inicial de 2 a 3 sessões semanais, reduzindo progressivamente. A recuperação funcional completa pode levar de 6 a 12 meses, especialmente em reparos de lesões grandes. Os exercícios domiciliares diários são fundamentais e costumam ser mais determinantes do resultado do que a frequência de sessões supervisionadas.

+Vou recuperar o movimento completo?

A maioria dos pacientes recupera movimento funcional — suficiente para atividades diárias — em 3 a 6 meses. Recuperação próxima à amplitude prévia é esperada em cerca de 80–90% dos casos. Alguns pacientes permanecem com pequeno déficit de rotação interna (dificuldade para alcançar a região lombar), geralmente bem tolerado. A rigidez pós-operatória é uma complicação conhecida, mais frequente em pacientes diabéticos, tabagistas, com capsulite adesiva prévia e com baixa adesão à fisioterapia.

+Vou voltar a praticar esportes?

A maioria dos pacientes retorna a esportes recreativos. Algumas referências gerais:

  • Musculação leve com carga progressiva — 3 a 6 meses.
  • Natação (estilo crawl) — 4 a 6 meses.
  • Tênis — 6 a 9 meses.
  • Esportes de contato e arremesso acima do ombro (vôlei, handebol, beisebol) — 9 a 12 meses.
06

Riscos

Complicações e resultados

+Quais são os principais riscos da cirurgia?

Riscos gerais: complicações anestésicas (reação, eventos cardiovasculares), tromboembolismo venoso (incidência baixa em membro superior), infecção (0,5–2% em artroscopia), hematoma, complicações cutâneas.

Riscos específicos: lesão neurológica (axilar, supraescapular, musculocutâneo) habitualmente transitória; rigidez pós-operatória; re-ruptura do reparo de manguito. Complicações graves são pouco frequentes, mas são formalmente discutidas no termo de consentimento (TCLE).

+Posso ter uma nova lesão depois da cirurgia?

Sim. A re-ruptura do tendão do manguito pode ocorrer em 10–40% dos casos, com relação direta ao tamanho inicial da lesão, qualidade tendínea, idade, tabagismo e trauma. Nem toda re-ruptura é sintomática — muitos pacientes mantêm bom resultado funcional mesmo com imagem mostrando defeito residual. E nem toda re-ruptura necessita ser reabordada.

+E se a cirurgia não der certo?

Alternativas existem e devem ser discutidas: nova fisioterapia dirigida, infiltrações, revisão cirúrgica em casos selecionados (re-reparo, aumento com enxerto, transferência tendínea, conversão para artroplastia reversa). O objetivo principal da cirurgia é reduzir a dor e restaurar função útil — não necessariamente o retorno completo à condição prévia à lesão.

+Quanto tempo até eu me sentir “normal” de novo?

A melhora progressiva costuma ser percebida a partir de 6 a 12 semanas, com maior parte do ganho funcional entre o 3º e o 6º mês. O resultado final tende a se estabilizar entre 9 e 12 meses. A evolução não é linear — períodos de platô ou de pequenos retrocessos são esperados.

07

Logística

Perguntas práticas

+Vou precisar de acompanhante para internação?

Sim. Acompanhante é imprescindível no dia da cirurgia e desejável nos primeiros 7 dias para auxílio em higiene, vestuário, preparo de refeições, deslocamentos e administração de medicações — especialmente em pacientes que moram sozinhos, idosos ou com cirurgia do lado dominante.

+Preciso adaptar minha casa?

Adaptações simples ajudam muito: deixar itens de uso diário em alturas acessíveis (abaixo do ombro); preparar roupas de abertura frontal; colocar antiderrapante no box; providenciar poltrona reclinável ou almofadas para dormir semi-sentado; preparar refeições congeladas com antecedência; afastar tapetes soltos para prevenir quedas.

+Posso viajar depois da cirurgia?

Viagens curtas de carro como passageiro podem ser feitas desde os primeiros dias, com paradas a cada 1–2 horas. Viagens longas e voos devem ser postergados por 2 a 4 semanas após artroscopia — pelo risco de TVP, pelo desconforto e pela limitação para manejo de bagagem. O paciente deve levar medicações, relatório médico e, em voos, preferir poltronas de corredor do lado oposto ao da cirurgia.

+Por quanto tempo vou usar tipoia durante o dia? Posso tirar para comer?

Durante o período prescrito de uso contínuo, a tipoia é mantida inclusive para refeições e para dormir. Pode ser aberta para higiene delicada e para realizar os exercícios orientados. O braço não deve ser usado ativamente fora da tipoia nesse período, mesmo para pequenas tarefas — o maior risco de falha de reparo ocorre em movimentos aparentemente triviais (puxar um lençol, segurar-se ao levantar).

+Vou precisar de nova cirurgia no futuro?

A minoria dos casos de reparo do manguito rotador necessita ser reoperada (habitualmente < 15%).

+Quantas consultas de retorno serão necessárias?

Cronograma habitual:

  • 7–14 dias — avaliação da ferida, retirada de pontos.
  • 3–6 semanas — retirada da tipoia, início/progressão da fisioterapia.
  • 12 semanas — avaliação funcional e progressão.
  • 3, 6 e 12 meses — avaliação de resultado.

Podem ocorrer consultas adicionais conforme evolução e intercorrências.

+Preciso guardar algum relatório ou documento?

Sim. Os exames pré e pós-operatórios devem ser guardados pelo paciente. É fundamental informar sobre os implantes antes de realizar exames de ressonância magnética.

08

Perfis específicos

Perguntas por tipo de paciente

Pacientes idosos

+Tenho mais de 70 anos. Tenho condições de operar?

Idade isoladamente não é contraindicação. A avaliação deve focar em estado funcional prévio, comorbidades, reserva cognitiva, suporte familiar e expectativa do paciente.

Pacientes diabéticos

+Meu diabetes pode atrapalhar?

Diabetes mal controlado (HbA1c > 7–8%) associa-se a maior risco de infecção, rigidez pós-operatória (ombro congelado secundário) e pior cicatrização tendínea. Por isso, a otimização glicêmica pré-operatória é importante. Diabéticos têm maior incidência de capsulite adesiva prévia e podem precisar de protocolo de mobilização mais agressivo. O controle glicêmico deve ser intensificado no perioperatório.

Pacientes jovens e atletas

+Sou atleta. Vou voltar ao meu nível anterior?

Taxas de retorno ao esporte variam conforme modalidade e procedimento. Em estabilizações de ombro em atletas jovens, o retorno ao nível prévio ocorre em 70–90% dos casos. O paciente atleta deve ter expectativas calibradas e programa de reabilitação específico para a modalidade.

Cirurgia no lado dominante

+Minha cirurgia vai ser no braço que eu uso mais. O que muda?

O impacto funcional temporário é maior, exigindo maior suporte familiar ou contratação de cuidador. O retorno ao trabalho tende a demorar mais, especialmente em atividades que dependem do membro dominante. Adaptações ergonômicas são particularmente importantes. Os resultados finais, porém, são equivalentes aos do lado não dominante.

09

Aspectos emocionais

Psicológico e expectativas

+É normal ter medo ou ansiedade antes da cirurgia?

Sim. Ansiedade pré-operatória é comum e pode interferir no controle de dor pós-operatória e na adesão ao protocolo de reabilitação. Orientação detalhada, material informativo, conversa com pacientes operados e, em casos selecionados, apoio psicológico reduzem ansiedade e melhoram desfechos. Esclarecer dúvidas específicas — mesmo as consideradas “bobas” — é fundamental.

+Posso ficar deprimido depois da cirurgia?

Episódios de frustração, baixo humor e desânimo são frequentes, especialmente entre a 4ª e a 12ª semana — quando a dor inicial passou mas a função ainda não retornou. Reconhecer essa fase como esperada ajuda o paciente a atravessá-la. Sintomas persistentes ou intensos merecem avaliação específica.

A comunicação cirurgião-paciente no pré-operatório da cirurgia do ombro é determinante para a satisfação final. Diante de qualquer dúvida, agende um retorno para esclarecimento presencial com a Dra. Maria Elisa.

Sumário